Escolas públicas têm menos estrutura esportiva, e projetos gratuitos ampliam opções para crianças

Ter uma quadra disponível ou contar com materiais adequados para praticar esportes ainda depende, em parte, da escola frequentada pelo estudante brasileiro. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, do IBGE, mostram que 75,7% dos alunos da rede pública estudavam em instituições com quadras esportivas em condições de uso, diante de 92,3% na rede privada. No acesso a materiais suficientes para a prática de atividades físicas, a diferença era ainda maior: 62,7% nas escolas públicas e 96,8% nas particulares.

Esses números ajudam a contextualizar a importância de iniciativas que oferecem atividades gratuitas fora do horário escolar. A De Peito Aberto (DPA), organização social que atua em diferentes regiões brasileiras, desenvolve projetos voltados ao acesso ao esporte, à cultura e ao lazer. Em 2025, a entidade atendeu aproximadamente 7 mil crianças e adolescentes, realizou 440 eventos e executou 17 projetos.

As atividades incluem futebol, futsal, vôlei, basquete, handebol, skate, judô, karatê, capoeira e atletismo. Além de disponibilizar aulas, as iniciativas fornecem equipamentos e uniformes, conforme as necessidades de cada modalidade.

Esporte gratuito em diferentes territórios

No Pará, o projeto Esporte na Cidade atende cerca de 100 crianças e adolescentes em Terra Santa, oferecendo futsal, handebol, basquete e vôlei. A iniciativa também está presente em Faro e Oriximiná, incluindo comunidades quilombolas.

Em Governador Valadares (MG), o skate passou a integrar as alternativas gratuitas oferecidas a crianças e adolescentes. Na Bahia, o projeto Oportunidade Através do Esporte mantém atividades em Camaçari, Feira de Santana e Lauro de Freitas, em sua nona temporada.

A presença dos núcleos permite que crianças tenham contato com diferentes modalidades sem que as famílias precisem arcar com mensalidades. A entrega de uniformes, calçados e equipamentos também faz parte das ações, reduzindo barreiras financeiras à participação.

“Cada criança merece a oportunidade de brincar, aprender, se desenvolver e sonhar. O esporte e o lazer são ferramentas capazes de transformar realidades, fortalecer vínculos e abrir caminhos para o futuro. Os resultados que alcançamos ao longo dos anos mostram que, quando ampliamos o acesso a essas oportunidades, contribuímos para que crianças e adolescentes desenvolvam seu potencial e construam projetos de vida com mais perspectivas. Esse é o compromisso que move a De Peito Aberto a mais de 20 anos”, comenta Fábio Araújo, diretor-presidente da DPA.

Atividade física é direito de crianças e adolescentes

A Constituição Federal de 1988 estabelece o esporte, o lazer, a educação e a cultura entre os direitos que devem ser assegurados às crianças e aos adolescentes. O acesso a essas atividades, porém, ainda encontra obstáculos relacionados à infraestrutura e às condições econômicas das famílias.

A PeNSE 2024 também identificou que 58,4% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos eram insuficientemente ativos fisicamente e 9,7% eram inativos. Apenas 30,6% alcançavam os níveis considerados adequados de atividade física.

Ao longo de duas décadas, a De Peito Aberto informa ter desenvolvido 80 projetos em 66 municípios, beneficiando mais de 70 mil pessoas. Para 2026, a organização estabeleceu uma meta de captação de R$ 17,6 milhões por meio de leis de incentivo, destinada à continuidade e à ampliação das iniciativas.

Sobre a De Peito Aberto

A De Peito Aberto é uma organização social com 20 anos de atuação, dedicada à realização de projetos gratuitos nas áreas de esporte, educação, saúde e cultura. Suas iniciativas são desenvolvidas em parceria com o poder público e empresas privadas, por meio de mecanismos de incentivo e investimentos diretos.

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