Ilha Rasa será a nova linha de chegada da 76ª Regata Santos-Rio em 2026

A 76ª Regata Santos-Rio terá uma mudança importante no percurso em 2026. Após cerca de 200 milhas náuticas entre Santos e o Rio de Janeiro, os veleiros não cruzarão mais a linha de chegada junto à Ilha da Laje. A partir deste ano, o término da prova será na região da Ilha Rasa, antes da entrada da Baía de Guanabara.

A largada está marcada para 22 de outubro, quando a Santos-Rio também dará início ao Campeonato Brasileiro de Oceano da Associação Brasileira de Veleiros de Oceano (ABVO).

A nova configuração pretende aumentar o peso das decisões estratégicas das tripulações nos quilômetros finais e diminuir a interferência da barra da Guanabara, considerada uma das áreas mais imprevisíveis do trajeto. A Ilha Rasa fica aproximadamente 10 quilômetros da entrada da baía, em uma região mais aberta ao oceano. Na barra, o estreitamento da passagem intensifica as correntes de maré, que podem chegar a velocidades próximas de 1,6 metro por segundo.

A Santos-Rio já teve diferentes pontos de chegada ao longo de sua história. Nas primeiras edições, os barcos encerravam a regata na altura da Escola Naval, dentro da Baía de Guanabara. O trecho, cercado pelo relevo urbano, apresenta instabilidade nas condições de vento.

Durante os anos 1970, algumas edições terminaram no Arpoador, alternativa que também foi adotada novamente em 2011. A proximidade da costa podia favorecer chegadas rápidas quando as condições eram boas, mas igualmente colocava as embarcações em regiões sujeitas a ventos fracos.

“Era uma chegada gostosa, num cenário muito bonito”, recorda Odoardo Lantieri, Diretor de Vela do Iate Clube de Santos, um dos organizadores da regata. Segundo ele, porém, a recente mudança climática, com mais calor e buracos de vento, inviabilizou essa alternativa.

Nas últimas edições, a linha de chegada foi posicionada junto à Ilha da Laje, na entrada da Baía de Guanabara. Embora esse ponto estivesse mais próximo do encerramento da travessia pelo oceano, os competidores ainda precisavam administrar a aproximação da barra. Em situações de vento fraco, uma corrente de vazante podia diminuir de forma acentuada a velocidade do veleiro e alterar, nos quilômetros finais, uma vantagem construída ao longo de horas.

“É um local sujeito não só à instabilidade do vento, mas, sobretudo, à influência de fortes correntes de maré”, explica Adalberto Casaes, Capitão de Flotilha do Iate Clube do Rio de Janeiro, que divide a organização da regata com o ICS. “A chegada na Rasa oferece melhores oportunidades e chances equilibradas na chegada, tanto para os ponteiros quanto para os retardatários.”

Decisões estratégicas ganham espaço

Com a linha de chegada deslocada para uma área oceânica, a aproximação final também exigirá outra leitura dos navegadores. A disputa será encerrada antes que os barcos atravessem a entrada da Guanabara, aumentando a relevância da rota escolhida, do posicionamento diante do vento e das correntes costeiras e da interpretação das condições próximas à Ilha Rasa.

Odoardo Lantieri afirma que a alteração reduz a influência de circunstâncias específicas encontradas na boca da baía.

“A chegada na Ilha Rasa altera um pouco o rumo da regata e tira a loteria daquela boca da Baía de Guanabara. No lado de fora, na Ilha Rasa, os velejadores terão vento mais constante. Com isso, vão depender exclusivamente da estratégia, da tática”, afirma Lantieri.

A localização também está entre os fatores que explicam a escolha. O farol da Ilha Rasa é uma referência histórica para a navegação na entrada do Rio de Janeiro e, de acordo com a Diretoria-Geral de Navegação da Marinha, encontra-se aproximadamente 10 km distante da barra da Guanabara.

Assim, a Santos-Rio continuará sendo decidida em ambiente aberto, mas antes do estreitamento em que as correntes de maré ganham especial importância.

Travessia abre o Brasileiro de Oceano

A Santos-Rio será responsável pela abertura do Brasileiro de Oceano 2026. A competição é promovida pela ABVO em parceria com o Iate Clube de Santos e o Iate Clube do Rio de Janeiro e terá sequência de 30 de outubro a 2 de novembro, durante o 57º Circuito Rio.

O campeonato reunirá as quatro principais classes de oceano: ORC, Bra-RGS, RGS-Cruiser e Clássicos.

O resultado da Santos-Rio terá peso integral na classificação, sem possibilidade de descarte. A regra reforça a importância da travessia, diretamente relacionada à história e à própria formação da ABVO, na definição dos campeões brasileiros de 2026.

Inscrições e Aviso de Regata: www.sailrace.com.br

Sobre a ABVO

Fundada em 1955, a Associação Brasileira de Veleiros de Oceano é a única entidade de promoção da Vela de Oceano no Brasil. Braço oficial da Confederação Brasileira de Vela (CBVela), a ABVO organiza competições anuais e contribui para o legado de um dos esportes mais vitoriosos do país, nas classes olímpicas e não olímpicas.

A entidade tem o santista Bayard Umbuzeiro Neto como Comodoro, o bicampeão olímpico Torben Grael como 1º Vice-Comodoro, e Paulo Cezar Gonçalves, o Pileca, como 2º Vice-Comodoro.

A atual gestão tem entre seus objetivos otimizar e racionalizar o calendário nacional, estreitar a relação com os clubes para fortalecer eventos, ampliar a presença das diferentes flotilhas regionais, prestar suporte técnico às competições, aperfeiçoar os sistemas de apuração de resultados e contribuir para melhores condições de desenvolvimento da vela oceânica no Brasil.

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