
Maior competição de vela oceânica da América Latina, com apoio técnico da ABVO, terminou neste sábado (1/8) no litoral norte paulista
A 53ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela Daycoval coroou os seus campeões neste sábado (1º/8). A principal competição de vela oceânica da América Latina foi marcada por um grande equilíbrio em todas as classes, com muitas trocas na liderança e disputas acirradas.
Organizada pelo Yacht Club de Ilhabela (YCI), com supervisão técnica da Associação Brasileira de Veleiros de Oceano (ABVO) e chancela da Confederação Brasileira de Vela (CBVela), a competição reuniu 127 embarcações, mais de 1.000 velejadores do Brasil, Argentina e Uruguai. Participaram atletas olímpicos, pan-americanos e mundiais como Robert Scheidt, Lars Grael, Clínio de Freitas, Samuel Albrecht, Daniel Glomb, Mário Tinoco, Marco Grael, Maurício Santa Cruz, Guilherme Hamelmann e outros ícones da modalide.
Na ORC, considerada a principal classe do campeonato, o Crioula 52 (VDS), de Eduardo Plass, confirmou o favoritismo e conquistou mais um título seguido. Também terminaram campeões o Plâncton (BRA-RGS), o Blue Wind (BRA-RGS Cruiser), o Madrugada (Clássicos), o Relaxa Building (C30), o Ciribaí (HPE25) e o Onda (Super 40).
”Realmente estamos bem contentes com o resultado. Estamos vivendo um bom momento no Brasil. Vimos a classe Soto 40 com diversos barcos e resultados bem parelhos no grupo. Em um minuto de regata, às vezes temos sete ou oito barcos, e isso mostra o equilíbrio da disputa”, explicou o atleta olímpico Samuel Albrecht, tático do Crioula.
Comodoro da ABVO, Bayard Neto elogiou o trabalho da organização do evento, principalmente frente aos desafios enfrentados diante os ventos fortes que atingiram Ilhabela no meio da semana.
“O balanço foi bastante positivo. O evento contou com uma organização elogiada pelos participantes, além de regatas técnicas e em grande número, realizadas em condições variadas de vento e sol. A única interrupção na programação ocorreu na quarta-feira, quando as fortes rajadas de vento impediram a realização das provas previstas. No entanto, a Comissão Técnica conseguiu reorganizar o cronograma e recuperou as duas regatas canceladas ao longo dos dois dias seguintes.”
Bayard também destacou o trabalho do Yacht Club de Ilhabela: “a organização da Semana Internacional de Vela pelo Yacht Club de Ilhabela foi impecável em toda a estrutura do evento e no acompanhamento dos velejadores.”
A entrega de prêmios foi realizada no Race Village, localizado do Centro Histórico de Ilhabela, reunindo autoridades locais, representantes do YCI na figura principal do comodoro Pualo Palermo e dos velejadores.
A programação da Semana Internacional de Vela de Ilhabela Daycoval começou ainda no sábado (25/7), com a Regata Vela do Amanhã Mauro Dottori by Genoa Capital, que levou cerca de 200 crianças de projetos sociais para uma experiência de navegação ao lado de grandes nomes da modalidade.
No domingo (26/7), o tradicional Desfile dos Barcos reuniu centenas de pessoas no Píer da Vila antes da apresentação da Esquadrilha da Fumaça, que abriu oficialmente a programação ao lado da largada da Regata Alcatrazes por Boreste Marinha do Brasil.
Ao longo da semana, foram realizadas regatas de percurso e provas de barla-sota, entre elas a Regata Mitsubishi Eduardo Souza Ramos, a Regata Daycoval e as disputas válidas pelo campeonato de cada classe.
No total, a edição contou com 11 regatas na ORC, 13 na Classe C30, 11 na HPE25, oito na BRA-RGS, oito na RGS Clássicos, sete na RGS Cruiser e oito provas válidas pelo Campeonato Super 40, totalizando mais de 40 regatas.
A única interrupção ocorreu na quarta-feira (29), quando um fenômeno meteorológico provocou rajadas superiores a 60 nós (111 km/h) e obrigou a organização a cancelar toda a programação esportiva.
Após uma força-tarefa envolvendo o Yacht Club de Ilhabela, a Comissão Técnica, a Marinha do Brasil e os próprios velejadores para garantir a segurança das pessoas e das embarcações, o cronograma foi reorganizado e todas as regatas previstas foram recuperadas até o encerramento da competição.
Uma das novidades da 53ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela Daycoval foi a divisão das disputas em duas raias. De um lado ficaram as embarcações de maior desempenho, como ORC, Super 40 e C30.
Na outra, competiram as classes BRA-RGS, RGS Cruiser, Clássicos e HPE25. A medida reduziu o encontro entre barcos com velocidades muito diferentes, principalmente nas montagens de boia e nas popas, aumentando a segurança e permitindo disputas mais equilibradas dentro de cada flotilha.
Crioula domina novamente a principal classe
Na ORC, o Crioula 52 (VDS) voltou a mostrar porque é a principal referência da vela oceânica brasileira. A embarcação comandada por Eduardo Plass optou por não disputar a Regata Alcatrazes por Boreste Marinha do Brasil, válida apenas como prova especial de abertura, concentrou esforços no campeonato e conquistou o título da ORC Geral e da ORC Performance com apenas 10 pontos perdidos em 11 regatas.
O Onda (ICS), de Eduardo Souza Ramos, terminou na segunda colocação da classificação geral, enquanto o Sandokan (YCA), de Carlos Belchor Costa, completou o pódio.
A ORC (Offshore Racing Congress) é a principal regra internacional da vela oceânica. Ela utiliza um sistema de rating que corrige os tempos de acordo com as características de cada embarcação, permitindo que barcos de diferentes tamanhos e projetos disputem o mesmo campeonato em condições equilibradas. A ABVO é a representante brasileira da ORC.
Campeonatos decididos nos detalhes
Embora a ORC tenha sido dominada pelo Crioula, a maior parte das classes foi decidida por diferenças pequenas de pontuação.
Na BRA-RGS Geral, o Plâncton (ICSC), de Jonas E. Chorociejus, conquistou o título com 16 pontos, apenas três à frente do My Boy (LISARB), de Lars Andreas Muller. A divisão B foi ainda mais equilibrada, com o Homo Erectus (ICSC) superando o My Boy por apenas um ponto.
A regra nacional RGS é um sistema nacional de compensação que permite a disputa entre veleiros de diferentes tamanhos e projetos.
Na Classe C30, o Relaxa Building (YCI), comandado por Tomás Mangabeira Albernaz, liderou praticamente toda a competição e confirmou o título com uma regata de antecedência. Ainda assim, a vantagem sobre o Kaikias EMS (YCI) foi pequena durante toda a semana, exigindo concentração até a confirmação matemática da conquista.
O Relaxa Building se destacou no meio da flotilha por levar a única mulher da C30 neste edição. Os Carabelli 30 são veleiros de one-design assim como os HPE25.
Na HPE25, o título foi decidido por apenas um ponto. O Ciribaí (GVI), de Mario Lindenhayn, terminou com 21 pontos, contra 22 do Ginga (GYC), de Breno Chvaicer.
A categoria é uma formada por monotipos de 25 pés, na qual todas as embarcações são praticamente idênticas. Como os barcos possuem o mesmo projeto e equipamentos padronizados, as regatas são definidas pela habilidade das tripulações, pela estratégia e pela execução das manobras na água.
Nos Clássicos, o Madrugada (VDS), de Niels Peter Charles Rump, confirmou o título geral depois de uma semana marcada por diferentes condições de vento e disputas técnicas no Canal de São Sebastião.
A categoria Clássicos reúne embarcações históricas, muitas delas construídas há décadas e preservadas por seus proprietários. Além de competir, esses barcos representam o patrimônio da vela, mantendo projetos, características e tradições que marcaram diferentes épocas do esporte.
Na RGS Cruiser, a antiga Bico de Proa, o Blue Wind (YCI), de James Bellini, conquistou o título geral, enquanto o Onda (ICS) confirmou a conquista do Campeonato Super 40, superando o tricampeão 4Z Phytoervas (YCSA).
Além das disputas individuais, a Semana Internacional de Vela definiu também o tradicional Troféu por Equipes, conquistado pelo time Imperador Pirata no Vento Azul, formado pelos barcos Sandokan (ORC), Kamehameha (Clássicos) e Blue Wind (RGS Cruiser).
Resultados oficiais AQUI.
ORC – Classificação Geral
1º – Crioula 52 (VDS) – Eduardo Plass – 10 pontos
2º – Onda (ICS) – Eduardo Souza Ramos – 43,5 pontos
3º – Sandokan (YCA) – Carlos Belchor Costa – 65 pontos
ORC Performance
1º – Crioula 52 (VDS) – Eduardo Plass – 10 pontos
2º – Onda (ICS) – Eduardo Souza Ramos – 27,5 pontos
3º – Sandokan (YCA) – Carlos Belchor Costa – 39 pontos
ORC Cruiser Racer
1º – Rudá (CIR) – Mário Augusto Martinez – 30 pontos
2º – Xamã (ICSYCIB) – Sergio Klepacz – 32 pontos
3º – Terroso (ICSC) – Carlos Augusto de Matos – 32,5 pontos
BRA-RGS – Classificação Geral
1º – Plâncton (ICSC) – Jonas E. Chorociejus – 16 pontos
2º – My Boy (LISARB) – Lars Andreas Muller – 19 pontos
3º – Homo Erectus (ICSC) – Luciano J. T. Moreira – 25 pontos
BRA-RGS A
1º – Albariño (ACAL) – Marcelo Cipolina – 13 pontos
2º – Avohai (PIC) – Luiz Henrique Macedo – 16 pontos
3º – Dourado (ICB) – Paulo Jorge Mendes e Menezes – 20 pontos
BRA-RGS B
1º – Homo Erectus (ICSC) – Luciano J. T. Moreira – 16 pontos
2º – My Boy (LISARB) – Lars Andreas Muller – 17 pontos
3º – Deja Vu (Marina Bracuhy) – Nuno Marques – 23 pontos
BRA-RGS C
1º – Plâncton (ICSC) – Jonas E. Chorociejus – 13 pontos
2º – Rainha Inaê (Pier 27) – Beto Umbuzeiro – 35,5 pontos
3º – Jacaré (YCI) – Pedro Fukui – 36 pontos
Classe C30
1º – Relaxa Building (YCI) – Tomás Mangabeira Albernaz – 19 pontos
2º – Kaikias EMS (YCI) – Daniel Hilsdorf – 24,5 pontos
3º – Conquest (GVI) – Marco Hidalgo – 28 pontos
RGS Cruiser
1º – Blue Wind (YCI) – James Bellini – 8 pontos
2º – Mandachuva (ICRJ) – Mario Garcia – 13 pontos
3º – Invocado (ICRJ) – Marco Polo de Mello Lopes – 23 pontos
Clássicos geral
1º – Madrugada (VDS) – Niels Peter Charles Rump – 12 pontos
2º – Chancegger (YCA) – Fred Paim – 17 pontos
3º – Kamehameha (PIC) – Alberto Henrique Kunath – 19 pontos
Clássicos A
1º – Chancegger (YCA) – Fred Paim – 9 pontos
2º – Kamehameha (PIC) – Alberto Henrique Kunath – 11 pontos
3º – Morgazek (YCI) – Michele D’Ippolito – 19 pontos
Clássicos B
1º – Madrugada (VDS) – Niels Peter Charles Rump – 8 pontos
2º – Fjord V (CNSI) – Rodrigo Cella – 15 pontos
3º – Asteriscus (ICS) – Luiz Rosenfeld – 19 pontos
Clássicos C
1º – Angatu (UBALEGRIA) – André Torrente Rovaroto – 9 pontos
2º – Sete Ondas (ICAR) – Marco Antonio Aleixo – 11 pontos
3º – Baforada 3 (Marina do Engenho) – Sylvestre Pereira dos Santos Filho – 31 pontos
HPE25
1º – Ciribaí (GVI) – Mario Lindenhayn – 21 pontos
2º – Ginga (GYC) – Breno Chvaicer – 22 pontos
3º – Mr. Pilot (ICRJ) – Franklin de Vasconcelos Souza – 34 pontos
Campeonato Super 40
1º – Onda (ICS) – Eduardo Souza Ramos – 11 pontos
2º – 4Z Phytoervas (YCSA) – Marcelo Bellotti / Fábio Bruggioni – 17 pontos
3º – Saci (YCI / ICS) – Mauro Dottori – 18 pontos
Troféu por Equipes
1º – Imperador Pirata no Vento Azul – 46 pontos
Sandokan (ORC)
Kamehameha (Clássicos)
Blue Wind (RGS Cruiser)
2º – Tridente del Plata – 87 pontos
Der Bekannte 2 (ORC)
Albarino (BRA-RGS)
Cerostress (RGS Cruiser)
3º – My King Blá Blá Blá – 91 pontos
King (ORC)
My Boy (BRA-RGS)
BL3 Urca (RGS Cruiser)
Sobre a ABVO
A Associação Brasileira de Veleiros de Oceano é a entidade máxima na gestão da vela oceânica no Brasil. A ABVO oferece apoio técnico aos iate clubes organizadores de regatas e administra as regras de rating utilizadas nas principais competições nacionais.
A entidade representa oficialmente o Brasil junto à ORC, principal sistema internacional de rating da vela oceânica, e possui cadeira permanente, com direito a voto, na Confederação Brasileira de Vela. A ABVO também promove cursos técnicos e ações de formação voltadas a profissionais e velejadores amadores, contribuindo para ampliar o conhecimento e a segurança na navegação.





